segunda-feira, 26 de junho de 2017

16o NOIA segue com Inscrições Abertas até 29 de Julho

As inscrições para a 16a edição do NOIA – Festival do Audiovisual Universitário, que acontece gde 03 a 08 de outubro, em Fortaleza, prosseguem até o dia 29 de julho. Além da tradicional mostra de curtas-metragens, a edição traz as mostras competitivas de fotografia e bandas universitárias cearenses, com intuito de gerar uma relação hibrida entre som e imagem que em movimento formam o audiovisual.

Estudantes podem inscrever seus trabalhos, via regulamento e ficha de inscrição disponíveis no site oficial (www.festivalnoia.com.br). Para participar da Mostra Brasileira de Cinema Universitário e da Mostra Ceará de Cinema Universitário, os filmes precisam ter duração máxima de 20 minutos, com data de realização entre janeiro de 2016 e Julho de 2017. 

Podem se inscrever curtas de ficção, documentário, animação ou experimental produzidos por realizadores brasileiros regularmente matriculados em instituições de ensino acadêmicas ou técnicas das redes públicas ou privadas. Cada diretor pode submeter até dois filmes para a seleção, que devem ser enviados nos formatos NTSC, 16:9, 4:3 ou H264. 

Os filmes selecionados concorrerão ao Troféu NOIA nas seguintes categorias: melhor curta-metragem (júri oficial, júri popular e júri da crítica), direção, roteiro, montagem, edição de som, trilha sonora, fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem, atriz, ator e intérprete coadjuvante. A Mostra Ceará premiará o melhor filme de acordo com o voto popular.

Fotografia e Música

Com tema livre, a Mostra Cearense de Fotografia Universitária pretende incentivar a preservação das imagens do cotidiano e valorizar o potencial artístico dos alunos inscritos. Podem participar trabalhos produzidos só no Ceará entre janeiro de 2017 e julho de 2017, cujo responsável, independente de sua nacionalidade, resida e estude no Ceará na época da produção da foto.

Serão aceitas fotografias digitais, tiradas de câmera profissional ou celular, desde que a câmera tenha pelo menos 8 MP de resolução e o arquivo gerado seja com no mínimo 2 MB. O júri avaliará as obras selecionadas e concederá o Troféu NOIA, durante cerimônia de encerramento, na categoria de Melhor Fotografia e Melhor Série.

Para a Mostra Cearense de Bandas Universitárias, podem participar bandas universitárias de qualquer estilo, que tenham em sua formação, pelo menos, 2 (dois) integrantes universitários. Cada banda deverá inscrever, no mínimo, quatro músicas originais (criação individual ou coletiva independente do estilo musical, em qualquer idioma), sendo o restante do repertório de livre escolha. A soma total do repertório, apresentado no ato da inscrição, não pode ultrapassar o tempo-limite de 25 minutos.
Os vencedores serão escolhidos por voto popular e pelo júri oficial. O Troféu NOIA será concedido nas categorias: melhor banda (júri oficial e júri popular) e melhor música autoral (júri oficial).

Programação Paralela

A programação também contará com oficinas, debates, seminários, feira acadêmica e interferências artísticas, continuando a trilhar outros caminhos com a mescla de linguagens artísticas que unificam com o audiovisual. Também estaremos em diálogo direto com as universidades brasileiras, incentivando a participação das instituições e dos próprios alunos nas mostras e nas ações paralelas como o Seminário do Audiovisual universitário e na Feira Acadêmica das Artes.

O 16º NOIA é apresentado pela CAIXA Cultural Fortaleza, com realização da PROPONO Consultoria Executiva, apoio institucional do Governo do Estado do Ceará por meio da Secretaria da Cultura (Secult-CE) via Mecenas Estadual (Lei Nº 13.811/2006), patrocínio da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e Governo Federal do Brasil, apoio cultural da Companhia Energética do Ceará (Coelce) e parceria da Vila das Artes (Prefeitura de Fortaleza), 1Bando, VAAC, KARTHAZ e Grupo Manga.

domingo, 7 de maio de 2017

Festival Varilux 2017 acontecerá em Junho



O Festival Varilux de Cinema Francês 2017, aportará em Aracaju, entre os dias 7 e 21 de junho, com 19 produções exibidas nos principais festivais de cinema internacionais, como Veneza, Berlim e Cannes, entre outros. Um  desses filmes é o longa-metragem “Rodin” de Jacques Doillon, que estreia mundialmente em maio no Festival de Cannes.
Em Paris de 1880, Auguste Rodin (Vincent Lindon) finalmente recebe, aos 40 anos, sua primeira encomenda do Estado: A Porta do Inferno, obra composta de figuras que farão sua glória, como O Beijo e O Pensador. Ele divide sua vida com Rose, sua companheira, quando conhece a jovem Camille Claudel (Izia Higelin), sua aluna mais talentosa, que rapidamente torna-se sua assistente e, em seguida, sua amante. Para quem conhece o talento de Lindon (“O Valor de Um Homem”, “Madeimoselle Chambon”, “Bem-vindo”), essa sua nova performance, deverá render prêmios de Melhor Ator em Cannes ou no César.
Outro longa que vem da seleção principal de Cannes, do ano passado, é “Um Instante de Amor” (Mal de Pierres) de Nicole Garcia, que traz Marion Cotillard em elogiada atuação como Gabrielle, jovem cheia de desejo e infeliz em seu casamento arranjado por sua família. Quando ela adoece, é enviada para se tratar em águas termais na Suíça, onde se apaixona pelo militar casado Andre Sauvage (Louis Garrel).
Também na lista de filmes do Festival Varilux, “Frantz”, de François Ozon, foi selecionado para o festival americano Sundance deste ano, após ter participado do Festival de Toronto e concorrido ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Indicado ao prêmio César – o Oscar francês – em nove categorias, o drama é uma livre adaptação do filme “Não Matarás” (1932), de Ernest Lubitsch que se passa em uma pequena cidade alemã após a Primeira Guerra Mundial. Anna (Paula Beer) chora diariamente no túmulo de seu noivo, Frantz, morto em uma batalha na França, até que um dia um jovem francês, Adrien (Pierre Niney), também coloca flores no túmulo.
A Vida de uma Mulher” (Une Vie) de Stéphane Brizé, também é um filme que estará ne programação do Varilux 2017. No drama de época, Judith Chemla, indicada ao César de melhor atriz pelo papel, interpreta Jeanne, moça ingênua do século 19 que se apaixona pelo o visconde Julien de Lamare (Swann Arlaud), com quem se casa. Com o passar do tempo, ele se mostra infiel, egoísta e sem caráter, e Jeanne perde sua alegria de viver.
Do Festival Internacional de Berlim, a programação do Varilux traz “O Reencontro” (Sage Femme), de Martin Provost, comédia dramática em que Claire (Catherine Frot), uma parteira que exerce sua profissão com paixão e vive de maneira rígida e disciplinada, de repente tem que conviver com Béatrice (Catherine Deneuve), a extravagante, irresponsável e inconveniente ex-mulher de seu pai.
Além destes, outros cinco filmes na programação do Festival Varilux participaram de festivais internacionais em suas últimas edições. De Cannes: “Na Vertical” (Rester Vertical), de Alain Guiraudie; “Na Cama com Vitória” (Victoria), de Justine Triet; e “Tour de France”, de Rachid DjaïdanI. De Veneza: “Coração e Alma” (Reparer les Vivants), de Katell Quillévéré. Do Festival de Toronto: “Rock’n Roll – Por trás da Fama (Rock’n Roll) de Guillaume Canet .

O Festival Varilux 2017 é um evento produzido pela Bonfilm, com patrocínio principal da Varilux/Essilor, Ministério da Cultura através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

RESULTADO BOLÃO OSCAR 2017

O Bangalô Cult tem o prazer de divulgar o vencedor do Bolão Oscar 2017. Trata-se de ANTONIO CARLOS

PRICOLI, da cidade de São Paulo. Ele  irá receber, via Correios, os seguintes prêmios: um Blu-Ray do filme

 "Touro Indomável" e outro Blu-Ray do filme "Gandhi".

A blogueira agradece a participação de todos e torce para que ano que vem, tenhamos uma participação ainda 

maior. Até lá!!!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

BOLÃO DO OSCAR 2017

Prezados seguidores, a partir de hoje, o Bangalô Cult estará realizando uma promoção ligada ao Oscar 2017. Serão indicadas 15 categorias, dentre as existentes na festa da entrega do Oscar, a fim de que os internautas possam arriscar seus palpites e concorrerem a dois filmes em Blu-Ray.

As respostas devem ser encaminhadas ao e-mail do blog (bangalocult@gmail.com) para posterior avaliação, até às 23h59, do dia 25 de fevereiro de 2017, véspera da 89a Cerimônia de Entrega do Oscar. O vencedor será aquele que mais categorias acertar dentre as 15 escolhidas pelo bangalô. Caso haja empate, o critério de desempate será a data e hora das respostas enviadas pelo internauta (o que primeiro enviar as respostas certas, ganha o prêmio).

Se ninguém conseguir acertar as 15 categorias, o vencedor será aquele que mais acertos tiver (no mínimo sete categorias certas). O participante deverá anexar ao e-mail enviado com as respostas, seu telefone de contato para posterior entrega do prêmio e endereço completo (caso residam fora do Estado de Sergipe).

Será aceito apenas um e-mail por pessoa e não serão aceitas retificações, valendo o primeiro e-mail enviado por participante. Também não serão computados os palpites enviados após o prazo final estabelecido. A promoção tem caráter cultural.

 Boa sorte!

FILME

Manchester à Beira-mar
Moonlight - Sob a Luz do Luar
A Qualquer Custo
A Chegada
Até o Último Homem
Um Limite Entre Nós
Estrelas Além do Tempo
Lion - Uma Jornada para Casa
La La Land- Cantando Estações

DIRETOR


Barry Jenkins (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
Mel Gibson (Até o Último Homem)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-mar)
Dennis Villeneuve (A Chegada)
Damien Chazelle (La La Land)

ATOR


Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Ryan Gosling (La La Land - Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

ATRIZ

Natalie Portman (Jackie)
Isabelle Huppert (Elle)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Ruth Negga (Loving)
Emma Stone (La La Land)

ATOR COADJUVANTE

Lucas Hedges (Manchester à Beira-mar)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Dev Patel (Lion - Uma Jornada para Casa)
Michael Shannon (Animais Noturnos)
Mahershala Ali (Moonlight - Sob a Luz do Luar)

ATRIZ COADJUVANTE

Michelle Williams (Manchester à Beira-mar)
Nicole Kidman (Lion - Uma Jornada para Casa)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Naomie Harris (Moonlight - Sob a Luz do Luar)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

FILME ESTRANGEIRO

O Apartamento (Irã)
Toni Erdmann (Alemanha)
Tanna (Austrália)
En Man Som Heter Ove (Suécia)
Under Sandet (Dinamarca)

ROTEIRO ORIGINAL

La La Land - Cantando Estações
A Qualquer Custo
O Lagosta
20th Century Women
Manchester à Beira-mar

ROTEIRO ADAPTADO

A Chegada
Estrelas Além do Tempo
Lion - Uma Jornada para Casa
Um Limite Entre Nós
Moonlight - Sob a Luz do Luar

ANIMAÇÃO


Moana - Um Mar de Aventuras
A Tartaruga Vermelha
Kubo e as Cordas Mágicas
Zootopia - Essa Cidade é o Bicho
Minha Vida de Abobrinha


FOTOGRAFIA

A Chegada
La La Land - Cantando Estações
Lion - Uma Jornada para Casa
Silêncio
Moonlight - Sob a Luz do Luar

EDIÇÃO

La La Land - Cantando Estações
Até o Último Homem
A Qualquer Custo
A Chegada
Moonlight - Sob a Luz do Luar

TRILHA SONORA 

Jackie
La La Land - Cantando Estações
Lion - Uma Jornada para Casa
Passageiros
Moonlight - Sob a Luz do Luar

CANÇÃO ORIGINAL

"City of Stars" (La La Land - Cantando Estações)
"Can't Stop the Feeling" (Trolls)
"Audition (The Fools Who Dreams)" (La La Land - Cantando Estações)
"The Empty Chair" (Jim: The James Foley Story)
"How Far I'll Go" (Moana - Um Mar de Aventuras)

DESIGN DE PRODUÇÃO

Ave, César!
A Chegada
La La Land - Cantando Estações
Passageiros
Animais Fantásticos e Onde Habitam

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ABRACCINE divulga lista dos melhores de 2016

Associação Brasileira de Críticos de Cinema divulga os vencedores do 6º Prêmio Abraccine.

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema, Abraccine, anunciou hoje, os ganhadores de seu sexto  prêmio anual, relativo aos Melhores Filmes de 2016.

Na categoria Longa Metragem concorreram todos os filmes lançados em circuito comercial no Brasil, tanto brasileiros como estrangeiros, entre 17 de dezembro de 2015 e 29 de dezembro de 2016, totalizando mais de 400 produções.

Na categoria Curta Metragem concorreram somente filmes brasileiros exibidos durante o ano de 2016 em mostras, festivais e demais eventos cinematográficos.

Os vencedores do Prêmio Abraccine 2016 foram:

MELHOR LONGA METRAGEM BRASILEIRO:
“Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho.

MELHOR LONGA METRAGEM ESTRANGEIRO:
“Elle”, de Paul Verhoeven.

MELHOR CURTA METRAGEM:
“Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares.

Paulo Henrique Silva, Presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, afirma que “chegando agora à sua sexta edição consecutiva, e pelo fato da Associação ter forte atuação em todo o território nacional, o Prêmio Abraccine se consolida cada vez mais como o Grande Prêmio representativo do pensamento crítico brasileiro”.

Diferente da maioria das premiações cinematográficas, o Prêmio Abraccine não é apenas uma enquete numérica entre os votantes, mas sim o resultado de um rigoroso processo seletivo realizado a partir de uma intensa discussão e troca de ideias, via internet, de seus associados em todo o Brasil.


Fundada em julho de 2011, a Abraccine tem hoje cerca de uma centena de associados em praticamente todos os estados brasileiros. Sua missão é promover formas de pensamento crítico, reflexão e debate sobre o Cinema.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mais Interpretação...Menos Imitação, Por Favor


Andréia Horta vive Elis Regina, no longa de Hugo Prata


Ainda, ontem, comentava com meus alunos de Argumento e Roteiro I, sobre o filme “Elis” de Hugo Prata. Fui direta ao ponto e disse que um dos problemas do longa-metragem, que estreou semana passada, em circuito comercial, era a Elis Regina “performática” de Andréia Horta. Explico.  

Andréia que revelou em entrevistas ser fã, desde pequena, da Pimentinha, não mediu esforços para incorporar seus trejeitos, sotaque, sorriso. Ensaiou durante três meses, exaustivamente, os números musicais escolhidos a dedo para enxertar o filme, a fim de que, após o comando de “Ação”, sua performance fosse tão convincente, que a sincronização com a voz da cantora gaúcha, combinasse perfeitamente.

O esforço nesse sentido foi válido, de certa forma, mas a obsessão pela identidade com a verdadeira Elis, por outro lado, parece ter custado caro à atriz global, já que ela não conseguiu relaxar o suficiente, deixando escapar um fio de autenticidade na sua interpretação. Não raro, notamos a linguagem gestual de Horta se antecipar à verbal. Soa estranho, artificial, caricatural. O incômodo, nesse sentido, duplica quando entra em cena Caco Ciocler (ator que admiro muito, é bom frisar), interpretando um César Camargo Mariano mais alquebrado do que tímido; quase um marido "de enfeite". Contudo, salvam-se Lúcio Mauro Filho (Miele), Gustavo Machado (Ronaldo Bôscoli) e Júlio Andrade (irreconhecível, na pele de Lennie Dale), irrepreensíveis em suas atuações.

O outro ponto frágil da produção, orçada em R$ 5,2 milhões, diz respeito ao roteiro. Assinado pelo próprio diretor, além de dois nomes experientes da área- Luiz Bolognesi (“Uma História de Amor e Fúria”, “Chega de Saudade”) e Vera Egito (“Amores Urbanos”, “Espalhadas Pelo Ar”)- o roteiro derrapa na estrada escorregadia do didatismo. Talvez, para o público jovem, que desconhece a trajetória de Elis Regina Carvalho Costa (1945-1982)- a jovem cantora, que desde a adolescência tornou-se “arrimo de família”, saindo do Rio Grande do Sul em direção ao Rio de Janeiro, para tentar alcançar o sucesso- a superficialidade da narrativa conjugada com o desfile de hits (nem todos, contextualizados) funcione. 

Já para quem leu toda a literatura relacionada à vida de Elis Regina e é "fã de carteirinha", o filme não acrescenta nada, provocando apenas um desejo de chegar logo em casa, após a sessão e botar no CD player, qualquer disco da coleção completa, desse ícone da MPB. Há de se elogiar, no entanto, a primorosa direção de arte e direção de fotografia, a cargo de Frederico Pinto e Adrian Teijido, respectivamente. Mas isso é muito pouco, para um obra cinematográfica que gerou tanta expectativa no meio crítico e nos aficionados.
Ainda assim, a receptividade do público tem se mostrado ótima, com o filme estreando em 224 salas brasileiras e arrecadando, no primeiro final de semana, pouco mais de R$ 2 milhões.  Aguardemos a avalanche de prêmios!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Halder Gomes dá golpe certeiro com "O Shaolin do Sertão"


Cena de "O Shaolin do Sertão"_http://bangalocult.blogspot.com
Duelo final: Shaolin x Toni Tora Pleura

Confesso que estava ansiosa por assistir a "O Shaolin do Sertão", novo filme de Halder Gomes, na expectativa de compará-lo ao seu primeiro longa-metragem- "Cine Holliúdy"- lançado há três anos e que levou cerca de 500 mil espectadores aos cinemas brasileiros. Surpreendi-me com o resultado dessa nova produção, que também explora o lado nostálgico do cinema, evocando os filmes de lutas marciais- sobretudo aqueles que passavam na TV, nos anos 1970/1980- e, de certa forma, as aventuras dos Trapalhões. O humor rasgado está presente em, praticamente, todas as cenas, não deixando brecha para o público se recuperar dos constantes ataques de risos.

Em parte, isso se deve à performática interpretação de Edmilson Filho, que dá vida a Aluízio Liduíno (Aluízio Li), um padeiro de Quixadá (CE), aficionado por kung fu, que durante o trabalho na mercearia de seu Zé (Dedé Santana), não cansa de se imaginar, derrotando vilões orientais com seus golpes certeiros, além de salvar a linda Anésia Shirley (Bruna Hamú), filha do patrão.

Ao despertar de seus devaneios, ele percebe que não será fácil desbancar o noivo da sua amada, Armandinho (Marcos Vera). A chance de conquistar o coração de Shirley e o respeito de seus conterrâneos- inclusive de sua mãe, Dona Zefa (Fafy Siqueira)- surge quando o prefeito da cidade, Rossivaldo (Frank Menezes) recruta um lutador local para desafiar o temível Toni Tora Pleura (Fábio Goulart), que circula pelo interior do Estado, derrotando vários adversários de uma só vez.  Aluízio Li é o escolhido para a difícil missão e ajudado pelo garoto Piolho (Igor Jansen), vai atrás do Mestre Chinês (o cantor Falcão) para aprimorar sua técnica.

A partir daí, não faltam referências aos filmes de lutas marciais: desde os protagonizados por Bruce Lee- como o icônico "O Dragão Chinês"- passando por "Karatê Kid" (1984) e, até, a animação "Kung Fu Panda" (2008). Chinês usa de sua filosofia oriental (ou melhor, de sua filosofia cearense) para alimentar o lado espiritual de Aluízio Li, enquanto o corpo será exigido dia após dia, com provas de força, agilidade, concentração e equilíbrio. Depois do árduo treinamento, é hora de voltar para casa e se preparar para a grande luta, mas antes disso, Li descobrirá não só a verdade por trás do misterioso Mestre Chinês, como o segredo por trás da identidade de seu verdadeiro pai.

Percebe-se que Halder Gomes amadureceu como cineasta com esse novo trabalho. Diferentemente, de "Cine Holliúdy", em que a narrativa era fragmentada, muitas vezes em pequenos blocos que mais lembravam esquetes- fazendo com que os momentos de humor fossem inconstantes- "O Shaolin do Sertão" apresenta uma narrativa mais coesa, com referências ora sutis, ora bem marcadas de clássicos do cinema mundial, ligadas à memória afetiva do diretor (nem sempre dos filmes do gênero de lutas orientais); o número de personagens diminuiu drasticamente, podendo até mesmo certos coadjuvantes, serem bem delineados; o humor ingênuo é intenso e crescente, culminando com o "grand finale" e também explora, inteligentemente, paisagens pitorescas do sertão cearense, gerando momentos de "respiro".

O mérito para tamanho sucesso até agora- no fim de semana de estreia no Ceará, conseguiu levar cerca de 45 mil espectadores ao cinema- responde pelo entrosamento da dupla de amigos, Halder Gomes e Edmilson Filho e o apelo popular desse tipo de comédia. Destaque para a trilha sonora, que conta com clássicos eternizados na voz de Fagner, Odair José; os efeitos especiais, capitaneados por Marcio Ramos e Jorge Uchoa e o trabalho de edição e mixagem de som de Érico Paiva.

Leve um lencinho para a sessão. Você irá chorar, de tanto rir....